3 de dezembro de 2007

Atendimento Pré-hospitalar no Brasil - Parte 03

Corpo de Bombeiros Militar

Criado em 1856 por Dom Pedro II, o Corpo de Bombeiros dispõe de diversos grupamentos, entre eles, o GSE (Grupamento de Socorro e Emergência) que é responsável pelo atendimento pré-hospitalar (APH). Desenvolvido a partir de 1981, foi o pioneiro no resgate de vítimas feridas e atualmente funciona sob um modelo fora das normas do
anexo da Portaria nº 2048/GM, desprovido de regulação médica, integração com o Sistema Único de Saúde (SUS) e formação, dos profissionais tripulantes de ambulâncias, por meio dos Núcleos de Educação em Urgências (NEUs). Por outro lado, é o órgão público responsável pela maioria dos atendimentos às vítimas de trauma.

A estrutura do GSE, no que tange o atendimento pré-hospitalar, é formada por unidades básicas, tripuladas por condutores e técnicos em emergências médicas (TEM), e por unidades avançadas, tripuladas por condutores, médicos (militares ou não) e TEMs. Algumas unidades dos Corpos de Bombeiros possuem motocicletas, conduzidas por bombeiros socorristas e equipadas com materiais de suporte básico de vida. Aeronaves de asa rotativa são utilizadas no atendimento às vítimas graves.

O Corpo de Bombeiros possui uma central telefônica, 193, a qual direciona as ocorrências para o quartel mais próximo do evento. Contudo, não há regulação médica integrada a outros serviços e as vítimas são quase sempre removidas para os hospitais de referência. Além disso, os bombeiros não atendem no domicílio. As emergências nestes locais somente receberam atenção após 2003, com a implantação do serviço de atendimento móvel de urgência.

Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU)

O SAMU é o principal resultado da
Política Nacional de Atenção às Urgências. Ele reflete a opção, do Ministério da Saúde (MS), pelo modelo franco-alemão de atendimento pré-hospitalar, tendo como principais características a regulação médica e integração total com o SUS, assim como, monitorização e regulação total das vagas disponíveis em todos os hospitais credenciados pelo MS, sejam públicos ou particulares. Segundo o MS, atualmente, o SAMU atende 926 municípios, conta com 114 serviços e cobre 92.7 milhões de brasileiros.

A estrutura do SAMU, no que se refere às ambulâncias, é composta de seis tipos: A; B; C; D; E; F, respectivamente, transporte, suporte básico, resgate, suporte avançado, aeronave de transporte médico e embarcação de transporte médico. As unidades de suporte básico são tripuladas por um condutor e um técnico de enfermagem, nas unidades avançadas a tripulação é composta por condutor, médico e um enfermeiro.

A rede nacional SAMU 192 é a regulação médica das urgências e emergências pré-hospitalares. Isso confere um atendimento médico direto e indireto a todas as chamadas, permitindo uma resposta mais bem adaptada, assegurando a disponibilidade de hospitalização, além de organizar o transporte e preparar a admissão do paciente no hospital.

Bombeiros x SAMU

A integração entre o SAMU e Bombeiros não é expressiva. Os pioneiros não abrem mão do seu sistema de atendimento e sua hierarquia, enquanto o SAMU, regulamentado de acordo com todas as portarias vigentes, se propaga como modelo nacional. “Mais que um choque de competências, é um embate de diálogo e treinamento.” (Mir/2004). O prazo cedido pela
Portaria nº 814/GM de 2001 foi de três anos para que todos os serviços de APH se adequassem as suas normas, entretanto, a padronização nacional ainda não é uma realidade.

Na maioria das cidades os dois serviços não são integrados e sequer possuem comunicação entre si, isso implica, muitas vezes, no acionamento dos dois órgãos para a mesma ocorrência, aumentando o gasto público, atrito entre os profissionais e, principalmente, deslocando desnecessariamente uma ambulância. Vale ressaltar que em algumas cidades, como por exemplo, Araras/SP e Rio de Janeiro/RJ, o Bombeiro e o SAMU são integrados, no Rio de Janeiro, especialmente, o Corpo de Bombeiros é quem coordena o SAMU, despachando algumas vezes viaturas do 192 para ocorrências acionadas pelo 193, inclusive. Isso ocorre porque algumas ambulâncias ficam alocadas em quartéis dos bombeiros.


O conflito entre as duas entidades esta longe de ser simples. O diálogo deve ser intensificado e direcionado para um ponto comum: Melhor resposta e atendimento. No ponto de vista da maioria dos especialistas, mais importante do que discutir a padronização dos sistemas é criarem uma regulação médica única e articulada. Talvez esse seja o primeiro passo para melhorar o sistema.

(Por Paulo Pepulim)

10 comentários:

Enio Conturbia disse...

Caro companheiro... se me permite, estou aqui para lhe comunicar que estas enganado quando diz que o Corpo de Bombeiro não atende a domicílio. Em nosso estado, Mato Grosso do Sul, como em diversos ouros (PR,SP,PE,MT, etc) que visitei os bombeiros prestão sim socorro as vitimas em suas residências...resaltando....de grande qualidade. Isso ocorre pq, mesmo sem o quadro de saúde, temos bombeiros formados em enfermagem, vários acadêmicos e inúmeros técnicos em enfermagem. Tudo isso para atendermos a população de nosso estado como ela merece...com qualidade,respeito e eficiência. Grato

NATANAEL disse...

O Brasil possui muitos acordos internacionais, concorda com direitos pré-estabelecido pela ONU, no entanto não p-ossui a capacidade de cumprir e não desenvolve meios para alcançar o que foi definido.
Fazendo analogia o Ministério da Saúde estabeleceu prazo de 3 anos acordo com a Portaria nº 814/GM de 2001 no entanto faltou definir o que aconteceria para quem presta-se o serviço se não adaptar-se a norma, não ofereceu condições claras as instituições que sempre atuaram na area, esqueceu que o corpo de bombeiros já prestavam o serviço APH nos moldes americano e apenas impos as norma e portarias MS esqueceu que cada estado possui uma realidade e que existem mmunicipios que não possuem estruturas para adquarem-se as portarias.

Cleoman disse...

Olá. Sou Bombeiro de Brasília e trabalho em serviço pré-hospitalar desde 91 e a corporação sempre se preocupou em capacitar seus profissionais. Tb temos emfermeiros e técnicos nas ambulâncias; o que falta é apenas regulação e vontade política para isto acontecer. è um grande desperdício de dinheiro público deslocar uma ambulância do SAMU e uma dos Bombeiros para a mesma ocorrência como acontece em Brasília diariamente diversas vezes. Em muitos lugares era muito necessário o SAMU, pois tem Bombeiros sem estrutura, ao contrário de BsB que tem uma ambulância em cada cidade satélite, num total de 28, com reservas e com profissionais capacitados anualmente ou, pelo menos unificar já que tem o mesmo objetivo.
Brasília deveria abrir concurso público para o SAMU, já que vem usando funcionários da fundação hospitalar deixando ainda pior, se é que é possível, o atendimento da populaçao.

Anônimo disse...

Desconheço que haja médicos civis correndo no GSE (CBMERJ) e acredito que seja pouco provável que aconteça isso.O pior de tudo foi a militarização do serviço (SAMU-Rio de Janeiro-Capital) que resultou na demissão em massa de trabalhadores e sucateamento do mesmo resultando em uma piora nos atendimentos e conseqüentemente morte de pessoas.

Anônimo disse...

Sou BOMBEIRO no Praraná e acompanhei a implantação do SIATE (serviço integrado de atendimento ao trauma e emergência) COMEÇOU A FUNCIONAR EM 1991.existe uma briga de ego entre siate e samu, aqui no Paraná o siate foi criado para atender vítimas de trauma, mas como não havia quem atendesse emergências clínicas o siate acabava fazendo também este serviço como gestantes parada cardio-respiratórias e outros como convulsão avc e enfim varios casos clínicos,recentemente foi criado o samú e informado que seria para atender emergência e urgências clínicas e o siate ficaria para atender apenas casos de trauma, mas como existe por exemplo casos clinicos seguido de trauma então resta saber quem vai? exemplo uma parada cardíaca que posteriormente gerou uma queda ou um avc seguido de uma queda ou uma colisão de um automóvel contra um anteparo fixo após uma pcr, temos uma central que regula o sistema e triagem feita por médico regulador mas sempre acaba siate atendendo clínico e samú atendendo trauma também ocorre que uma ambulancia está passando pelo local e acaba de acontecer um caso clinico tem que atender sem importar se é samu ou siate ou um acidente e assim vira em gasto para a população e ninguém mas sabe quem chamar se liga 193 siate ou 193 e bombeiro ou siate e 192 e samu 193; mas o caso e que falta vontade de preparar e integrar em uma só equipe trauma e clínico não importa o nome importa o atendimento as vítimas não querem saber quem vai atender e sim querem ser atendidas por profissionais que queiram trabalhar sejam médicos socorristas e enfermeiros todos os profissionais de saúde teriam que ser formados com cursos para as duas funcões tecnico de enfermagem com curso de socorristas e médicos e enfermeiros atls e ph atls assim por diante se for para trabalhar no aph, para não ficar assim um socorrista sabe mais que um médico no aph e um tecnico de enfermagem ou enfermeiro atendendo trauma sem saber imobilizar uma fratura ou desobstruir uma via aérea por exemplo, ou um socorrista não podendo puncionar uma veia de uma vítima em choque hipovolêmico vamos acabar com isto e sermos um no atendimento dando o melhor para as vítimas e pacientes sem brigar por um ego ou fazer uma política com a vida das pessoas.

natanael disse...

Sou rofissional do Corpo de Bombeiro do Estado do Pará, enquando algumas pessoas discutem a populaçao que precisa morre a mingua pela rua, a Ministerio da Saúde que é o orgão regulador do serviço não toma iniciativa para cobrar e exigir do estados que padronizem o serviço móvel, para que haja uma padronização do serviço e uma mesma linguagem na rua;O PHTLS é um curso desenvolvido no EUA em que o profissional pode aplicar alguns procedimentos invasivos enquando no Brasil apenas a classe médica pode atuar em procedimentos invasivos, e como nós todos sabemos que médico não dá em arvore, o socorrista fica de mão atadas vendo o paciente morrer, e por causa até de cinco minutos de oxigennio entubado o paciente fica 3 mesese na uti, tudo isso demonstra uma clara reserva de mercado dos gerentes da saúde q tem o sonho que irá haver um médico a cada esquina.

Garcia disse...

Andre Garcia PoA/RS
Aqui no sul tanto o serviço SAMU, que foi o primeiro no Brasil (14 anos) a ser implantado como o de Bombeiros funciona muito bem obrigado. Cada um sabe sua função e onde deve atuar, serviço de atendimento movel de urgencia atende a traumas, clinicos e onde mais for preciso, bombeiros atendem a resgate onde o risco ultrapassa o profissional ( resgate em alturas, afogamento, encarcerados, etc. O profissional bombeiro dispoem de um aparato de ferramentas e tecnicas para isso, (roupas-capacetes-equipamentos etc) enquanto o profissional samu se concentra na qualificação em PHTLS ATLS APH BLS, tudo isso mediante uma regulação médica e concientização da população, é claro que acidentes graves com vítimas presas em ferragens tanto faz ligar 192 samu ou 193 bombeiros que um aciona o outro, pois assim que o bombeiro libera a vitima que estava presa em ferragem com seu colega samu ao lado o paciente é de responsabilidade do samu que realizará o atendimento adquado a este. Mas é claro que lembro que nem semrpe foi assim, isto é fruto de um trabalho de 14 anos, no inicio era tudo muito mais comlicado e até confuso para todos. Bem espero ter contribuido no assunto que certamente ainda dará muito pano pra manga num país tão grande como o nosso Brasil. Um abraço a todos

antonio bruno neto disse...

É imprescindível a criação de um número único de atendimento, evitaríamos assim desperdício de dinheiro público, tempo e divergências em atendimentos emergenciais com duas viaturas de instituições diferentes.
Creio que todas as instituições envolvidas em atendimento querem dar o melhor de si. Mas os entraves político/administrativo/burocrático são os maiores problemas. Os profissionais tanto do SAMU quanto dos Bombeiros são servidores capacitados para atuarem nas funções exercidas, muitos com salários irrisórios e condições precárias de trabalho, são verdadeiros heróis em prestação de serviço à população.

Neriton Boanerges Machado disse...

É ISTO SENHORES...BRIGUEM BRIGUEM!!! é assim que as coisas se resolvem? entre nos 'socorristas' de todas as instituições: militares ou civis, governamentais ou não governamentais (voluntárias), públicas ou privadas. A confusão no APH no Brasil é grande!!! O que penso: Saúde de quem é de saúde, Resgate e salvamento de quem é de resgate e salvamento!! As portarias do Ministério da Saúde são claras com relação a isto... deixando esclarecido que há espaço para todas as instituições... enquanto os militares distratarem os civis como "PAISANOS", e os civis distratarem os militares como "MILICOS" e não se unirem em prol de um bem comum:A VIDA DO PRÓXIMO!! a confusão vai continuar e vai longe ainda... Estudar juntos, treinar juntos e trabalhar juntos em prol da vida...este é o objetivo das portarias do MS. EU, Por já fazer parte do APH antes das portarias...e na escola americana na época..não concordo com muita coisa que está lá nestas portarias..mas não temos que concordar, temos que aproveitar o que é bom, aceitar o que é ruim e seguir a vida em prol da vida!!! UNAM SENHORES!! UNAM SENHORES!!! Enquanto os nossos governantes tratam o trauma um problema de saúde, e não como um problema de educação e justiça (policia) para evitar o trauma...haverão muitos casos a serem atendidos neste Brasil dos Traumas..Brasil dos inconsequentes, imprudentes, mau educados e impunes!!! abraço a todos e toquemos nossas vidas e as dos que vivem ainda......

Marcone disse...

Sejamos racionais.O SAMU ,foi criado aos moldes do modelo francês,que o mesmo não é referência para os paises de primeiro mundo.Nos EUA,Italia e Etc..Os pàra-médicos são bombeiros e tem 96% de aprovação da população,assim como é no Brasil.Trabalhar nas ruas é extremamente difícil,e as ocorrências são muito dinamicas e o profissional de saúde não sabe lhe dar com certas ocorrências.Se temos um profissional que tem 96% da confiança da população é porque algo não precisa ser modificado.Acho que o SAMU foi criado com o sentimento político,se levarmos em consideração a aceitação da população.Apenas 7% das ocorrências necessitam de intervenção médica,segundo o CBMERJ.Acho que temos um enorme cabide de empregos,pois temos cidades com um suporte avançado de vida que não chega a atender pelos menos uma ocorrência mês.O dinheiro público deve ser melhor aplicado,e o racional seria investir naqueles em quem a população confia.Se colocarmos a prova nas ruas um bombeiro e um enfermeiro, pode ter certeza que o bombeiro deixará o enfermeiro anos luz.