10 de novembro de 2007

Atendimento Pré-hospitalar no Mundo


Os primeiros passos para a organização moderna do serviço de emergência médica foram dados pelo cirurgião chefe do exército de Napoleão Bonaparte, Dominique Larrey, em 1792. Seu objetivo principal era evitar complicações (principalmente gangrena) nas vítimas de ferimento de guerra, mediante o tratamento precoce (imobilização ou amputação), o qual ocorria nos campos de batalha e, freqüentemente, sob fogo inimigo. Após pouco mais de dois séculos, o atendimento pré-hospitalar propõe objetivos e princípios semelhantes ao de Larrey: Iniciar o atendimento precocemente, sem agravar as lesões, oferecendo suporte básico e avançado ao paciente.

Modelos

Existem dois modelos predominantes de serviço de emergência médica no globo: O Anglo-americano e o Franco-alemão. O segundo iniciado nos anos 60 e legalizado em 1986, baseia-se na ampliação do raio de ação do hospital, levando à vítima quase todo tratamento disponível em um hospital. O que permite tal abrangência e especificidade é a utilização da tele-coordenação médica (regulação), a qual possibilita a triagem dos atendimentos e reserva de vagas nos hospitais de referência para vítimas graves. Além disso, o regulador médico tem controle sobre recursos públicos e privados para o atendimento de pacientes.

O modelo Anglo-americano surge nos EUA em 1966, mediante iniciativas da
National Highway Traffic Safety Administration e do Departament of Health and Human Services. Dois anos depois foi criado um telefone único para emergência, o famoso 911. O modelo baseia-se em um principio chamado load and go, que preconiza estabilização e transporte rápido dá vítima para o hospital qualificado mais próximo, onde será realizado o tratamento definitivo. Os provedores de saúde neste sistema são os paramédicos, que recebem formação técnica, e atuam sem supervisão médica.

A disputa

Os dois modelos são adotados em diversos países, sendo o sistema Anglo-americano o que possui uma lista maior. Entretanto, não existe nenhum estudo comparativo entre os dois. O modelo anglo-americano tem um custo financeiro maior, mas é facilmente implantado. No sistema franco-alemão o atendimento pré-hospitalar ao paciente é mais amplo e completo, com forte carga de atendimento social. Em contrapartida, sua implementação é complexa e depende da integração de diversas esferas governamentais. Um ponto de tangência entre os dois modelos é que nenhum pretende oferecer o tratamento definitivo ao paciente.

O sistema ideal

Antes de tentar definir qual o melhor modelo de atendimento pré-hospitalar, devemos estabelecer as características locais, através da observação e análise de dados estatísticos e indicadores sociais. O sistema de emergência médica deve visar, acima de tudo, um atendimento de qualidade e eqüidade, proporcionando o bem-estar do paciente.


(Por Paulo Pepulim)

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