18 de agosto de 2007

O ensino de trauma


Ensinar não se resume apenas à perpetuação de conhecimentos e teorias. Tal função é mais nobre e deve transcender o saber promovendo educação em seu sentido mais amplo. O professor precisa tornar-se educador.

A cadeira de trauma nas universidades estrangeiras é um caminho comum e obrigatório para os alunos da área de saúde. A abordagem da doença dos séculos não é isolada e restrita a um período de tempo, mas composta de interdisciplinaridade e discutida ao longo da formação acadêmica.

Podemos destacar a Universidade de Maryland, nos EUA, que desenvolveu um centro de estudo e treinamento (Shock Trauma Center) que estimula o contato constante do universitário e profissional com o trauma em todos os seus âmbitos. Além disso, são utilizadas técnicas de ensino baseado em problema, as quais permitem que os estudantes, deparando-se com um evento, reflitam sobre a magnitude do problema e as ações a serem realizadas e conseqüentemente seus resultados.

Embora a Universidade Estadual de Londrina seja a pioneira nesta técnica de ensino para o curso de graduação em medicina, no Brasil, infelizmente, grande parte dos centros de ensino superior em saúde ainda não dispõe de uma visão abrangente e de um treinamento direcionado para o trauma, criando um abismo na relação do aluno com o paciente politraumatizado. A falta de investimento na educação universitária e de iniciativa do corpo docente das universidades contribuem com este panorama.

Em vista disso, os centros de educação superior junto com os conselhos federais das profissões envolvidas com a doença trauma, devem re-avaliar as grades curriculares e implementar um programa de ensino que corrobore a formação do profissional que irá confrontar a doença mais devastadora do Brasil.

(Por Paulo Pepulim)

3 comentários:

FE (sua) disse...

Ensino de traum.. é fundamental!
Pena que a maioria das faculdades.. nem citem isso no seu cronograma! A uff (universidade federal fluminense)é a única do Brasil que dispoe de duas matérias relacionadas.. porém ainda.. constam como optativas, e não obrigatórias. ..logo.. o abismo continua pra grande parte dos alunos!
..falta interesse, do governo, dos professores, dos alunos!
bjs..

Bruno Tsubouchi Yporti disse...

Olá, Paulo.

O PBL realmente é bem interessante e contribui muito para formar um raciocínio perante a situações diversas, além é claro, de estimular o aprendizado ativo. Estudei esse ano com esse método aqui na UEL e achei o resultado bom, ao menos melhor que o tradicional.

O blogue é muito interessante, pode ter certeza que vou acompanhar e indicar a quem puder. Entretanto, notei uma falta de informações pessoais sobre você, seria bom manter uma página "Sobre" ao menos falando sobre sua formação e experiência, é bom pra dar credibilidade.

Até mais!

APH Tático Avançado disse...

Aproveitando o tema abordado, e o espaço cientifico, venho em nome da comissão organizadora, pedir apoio, deste blog e do pessoal que aqui frequenta, para ajudar e participar da divulgação e tambem da organização do I Congresso Brasileiro de Medicina Tática e Enfermagem Tática e I Simpósio Brasileiro de APH Tático. Que está sendo programado em Belo Horizonte MG.
Convido a todos os profissionais de saude e segurança pública a participarem deste evento, apresentando sugestões, trabalhos, posteres, matérias, artigos e imagens que possam vir a enriquecer esse evento e transforma-lo em uma referência nacional de Medicina Tática e Enfermagem Tática.
Grande Abraço a todos.
Os contatos podem ser feitos via telefone: 31 97288632 ou pelo blog da Medicina Tática.

Agradeço a genteileza de todos.
Atenciosamente, Professor Lemuel Araújo, Operador Tático de Emergências Médicas.